terça-feira, 18 de setembro de 2012

O que há de errado com a felicidade?

Todos os dias somos convencidos por propagandas em profusão de que só seremos felizes se tivermos o que ainda não temos: carros, celulares, casas em condomínios de luxo, e muito dinheiro. Mas, será que é aí que mora a felicidade? Ou melhor: será que a felicidade mora em algum lugar?

Na introdução de seu livro A arte da vida, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, provoca seus leitores a pensar através da seguinte pergunta: "O que há de errado com a felicidade?"

Pergunta que para muitos parece contraditória em sua própria formulação. Afinal "felicidade" e "errado" na mesma frase parece não combinar.Entretanto, a pergunta pelo que há de errado aponta para o fracasso da sociedade contemporânea capitalcêntrica que mede a capacidade de sermos felizes pelo que temos e não pelo que somos.Para Bauman, a estratégia de tornar as pessoas mais felizes aumentando suas rendas é mentirosa. Ou seja, essa relação direta entre crescimento econômico e maior felicidade embora seja aceita por muitos não funciona.

Nada de diferente do que já havia afirmado Jesus: "Bem-aventurados (felizes) sois vós, os pobres, porque o reino de Deus é vosso." (Lc 6.20b)

Palavras que contém uma doce contradição que implode o ideal de felicidade contemporâneo. Mesmo tendo pouco é possível ser feliz é o que afirma o mestre. Evidentemente, não há aqui ingenuidade, fuga, alienação ou justificação de um status quo opressor. Mas ao contrário, uma profunda consciência de que Deus é o bastante, apesar de todos os pesares da vida. Com esse sentimento que Tereza d'Ávila escreveu: Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus é o bastante.

Portanto, quando nos sentirmos tentados a pensar que felizes são aqueles que conquistam o que desejam, que aparentemente não sofrem e que tem capacidade de ter muitos bens, lembremos que felicidade, como diz a canção de Marcelo Jeneci, "é só questão de ser"!
    

terça-feira, 22 de maio de 2012

Se não é comunhão não é igreja!

Diante de um mundo fragmentado que propõe cada vez mais o isolamento, que priva as pessoas da verdadeira humanização experimentada nos relacionamentos fraternos profundos, se faz necessário o resgate de uma igreja de comunhão. Igreja que se baseia na premissa de que a salvação anunciada por Jesus Cristo e manifestada na sua própria gênese é comunhão que proporciona a possibilidade da recriação da humanidade marcada pela divisão e injustiça. Além disso, se faz imperiosa também a afirmação de que o Deus uno e trino é comunhão e que quer homens e mulheres unidos como forma de corresponder ao seu amor.
Dito de outra maneira, urge o chamado para ser igreja, que não é qualquer chamado, mas é, antes de tudo, um chamado a viver a experiência da comunhão em Jesus Cristo por intermédio do Espírito. Assim, pode-se dizer que a igreja é chamada a ser Communio.
Conforme destaca Greshake, Communio remete, em primeiro lugar, à raiz Mun, que significa fortificação e Moenia, muralha. Ou seja, remete a pessoas que se encontram em comunhão e estão juntas por trás de uma fortificação comum, estão unidas pelo mesmo espaço vital. Esse espaço é demarcado e une as vidas dessas pessoas em comum de forma que uma depende da outra. 
Em segundo lugar (com)munio faz referência à raiz mun que é refletida na palavra latina múnus, que significa tarefa, serviço ou também graça, dom, recompensa. O que está em comunhão está obrigado a um serviço mútuo, mas de tal forma que este serviço é precedido de um dom de antemão, que se recebe para passá-lo a outro. Desta maneira o conceito de communio está implicado ao de doação. Por isso communio não é um conceito estático, mas dinâmico. Comunhão é o processo de realização da vida.[1] Nas palavras de Ana Maria Tepedino, “a Igreja é comunhão, mas que tem que ser visibilizada na dinâmica da construção histórica, tem que ir sendo comunhão.”[2]
Sabe-se que esse caminho de doação e serviço é um caminho que traz consigo inúmero riscos, inclusive o da marginalização, mas que pode trazer esperança a homens e mulheres ainda hoje. Como escreveu Dom Hélder Câmara: “Esperança sem riscos não é Esperança.”







[1] Cf.GRESHAKE, G. El Dios Uno y Trino; uma teologia de La trinidad. Barcelona. Herder, 2001. p. 220-221.
[2] TEPEDINO, A. M. Eclesiologia de comunhão: uma perspectiva. In: Atualidade telógica. Revista do departamento de teologia da PUC-Rio, ano VI, 11, maio/agosto, 2002. p. 173. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Deus Pãe


Desde muito cedo somos acostumados a identificar Deus com imagens masculinas. Por exemplo, nos ensinam a chamar Deus de Pai, afinal essa é a palavra que sai da boca de Jesus: "Abba". A própria pessoa do Espírito Santo sofreu ao longo dos processos de inculturação uma carga de masculinização, já que a palavra hebraica para espírito, Ruach (substantivo feminino), foi traduzida para a grega pneuma (substantivo neutro), e por fim para o latim spiritus (substantivo masculino).

No entanto, como nos alerta Maria Clara Bingemer: "Uma fé em Deus que só é identificada com características masculinas é incompatível com a revelação Cristã e com o Deus de amor revelado na Bíblia e mais plenamente no Novo Testamento"[1]

Percebe-se,então, a partir de nossa criação à imagem de Deus (Gn 1e 2), que há nEle um princípio masculino e um princípio feminino. Dessa forma, a questão que se estabelece não é se Deus é homem ou mulher, porque Ele transcende ambos os gêneros. Mas, por que o princípio masculino foi amplamente reconhecido e difundido, enquanto que o feminino caiu em esquecimento?

Nesse sentido, muitas respostas surgem, inclusive aquela de fundo sociológico que afirma ser essa imagem de Deus coluna de sustentação para uma sociedade predominantemente patriarcal e androcêntrica. Contudo, basta-nos dizer que um "deus" assim, identificado com um só gênero, é um "deus" amputado e empobrecido.

Por isso, é preciso reler as escrituras com nova sensibilidade, a fim de, enxergarmos as imagens femininas de Deus que se deixam entrever nos textos bíblicos. Assim, "nós podemos encontrar em Deus um pai forte, mas uma mãe que é compassiva, consoladora e protetora, que revela força, mas também criatividade, equilíbrio e beleza.”[2] 

Um bom exemplo dentre vários outros é o da palavra rachamim, que é uma expressão veterotestamentária, que além de descrever sentimentos intimamente ligados à maternidade como clemência e misericórdia, vem da raiz hebraica rechem que significa útero materno. Ou seja, essa palavra é usada para comparar o amor de Deus com o amor de uma mãe. Além disso, em Isaías 49.15 Deus é identificado com uma mãe e em Isaías 42.14 o texto indica que as dores de Deus por seus filhos são como as dores de parto.


Por fim, cabe afirmar que a linguagem humana é pobre e limitada para expressar a grandiosidade de Deus. Por isso, talvez a comemoração do dia das mães seja uma oportunidade para que mesmo limitadamente redescubramos uma riqueza dos gêneros masculino e feminino, para humildemente aproximarmo-nos melhor do divino.

Louvado seja o Deus Pai-Mãe! O Deus Pãe!





[1] BINGEMER, M. C. Um rosto para Deus? São Paulo: Paulus, 2005. p. 101.
[2] Ibidem. p. 102.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Um Deus mais pobre que o homem?




Na raiz do pensamento teísta está a compreensão filosófica helênica segundo a qual o sofrimento é incompatível com o ser de Deus. Compreensão que desde Platão e Aristóteles denominava a perfeição de Deus como apatheia. Nessa perspectiva, o conceito de Deus que se depreende daquilo que a filosofia grega acredita ser adequado a Deus interpreta e define a substância divina como apática; pois caso contrário, sendo ela passível, não seria divina. Ou seja, a substância divina não pode estar submissa às realidades deste mundo, mas permanece sempre eterna e dá sustento ao mundo contingente.[1]
Contudo, na contra-mão dessas concepções está o conceito de “Teopatia”, percebido a partir da dinâmica intratrinitária da teologia da cruz formulada pelo teólogo Jürgen Moltmann, que faz compreender a paixão de Cristo como paixão de Deus. [2] Compreender o envolvimento de Deus Triuno no sofrimento de Jesus. 
Dito de outra maneira, Deus verdadeiramente assume, desde a encarnação de Jesus até o mistério de sua paixão e morte, toda sua realidade humana. Torna-se para os seres humanos, um Deus muito mais próximo, pois não é um ser frio, que nega a condição vulnerável. Assim, o Deus da fé cristã trinitária é um Deus que se sensibiliza com a condição de suas criaturas, e, em seu infinito amor, faz-se solidário em todo sofrimento e se coloca ao lado das vítimas da história. Somente desse modo é possível enxergar para além das "imagens de Deus" forjadas pelo teísmo e pelo ateísmo.[3]
Conforme destaca Bingemer:

A teologia crítica, assim como o ateísmo crítico, coincidem no sofrimento como marco da pergunta pela justiça. Cristãos críticos, assim como ateus críticos, encontram-se na luta contra a injustiça com ou sem marca religiosa neste contexto de solidariedade prática. Mas, em nível da história da paixão do mundo, o que significa a lembrança da história da paixão de Cristo? Porém, antes que possa postular-se e responder a esta pergunta cumpre esclarecer o que a história da paixão de Cristo significa para o ser mesmo de Deus e, portanto, para a fé cristã em Deus. Um Deus que reina em um trono celeste, em uma felicidade indiferente, é algo inaceitável. Um Deus incapaz de sofrer, não seria também um Deus incapaz de amar e por isso mais pobre que qualquer homem?[4]








[1] Cf. MOLTMANN, J. Trindade e Reino de Deus. Petrópolis: Vozes, 1980. p. 35.; Cf. Id. Quem é Jesus Cristo para nós, hoje? Petrópolis: Vozes, 1996. p. 45.
[2] Id. Trindade e Reino de Deus. Petrópolis: Vozes, 1980. p. 39.
[3] BASTOS, L; MOLTMANN, J. O futuro da criação. Rio de Janeiro: Mauad X/Instituto Mysterium, 2011. p. 104.
[4] BINGEMER, M. C. O Deus desarmado. A teologia da cruz de J. Moltmann e seu impacto na teologia católica. In: Estudos de Religião, v. 23, n. 36, 230-248, jan./jun. 2009. p. 246. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Confissão curativa


A confissão dos pecados é uma atitude bíblica e encontra respaldo na carta de Tiago: "Portanto, confessai vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros para serdes curados."(Tg 5. 16). Entretanto, essa dimensão de confissão se perdeu devido a algumas características dos dias atuais, como por exemplo, a escassez de tempo e de parâmetros para medir o certo e o errado em termos de conduta individual. Todavia, nas pegadas deixadas por Tiago encontramos o valor da confissão como um ato libertador e curativo. E nessa perspectiva, o lugar existencial da confissão se torna o espaço de confiança onde nossas culpas são aliviadas e podemos colocar-nos ao lado dos nossos semelhantes com dignidade.
E o mundo em que vivemos mesmo com um "modus vivendi" apressado e hedonista parece gritar por um espaço assim. É fato que os consultórios e os divãs dos terapeutas estão cada vez mais cheios, e também nunca foi tão aquecido o mercado de livros de auto-ajuda que prometem soluções rápidas para angústias pessoais. Ou seja, há uma busca intensa por uma oportunidade para se fazer ouvir em meio as pressões cotidianas, e um clamor para se falar sobre coisas que oprimem e machucam.
Assim sendo, sem descartar a contribuição de outras ciências, como a psicologia, é imperioso ressaltar que a Escritura oferece o caminho da confissão particular. No entanto, essa confissão deve ser feita de maneira cuidadosa e a pessoas de confiança. Afinal, no cenário evangélico brasileiro há muitos pastores-lobos em pele de ovelha que se aproveitam da confissão e a utilizam como instrumento de dominação. Desse modo, faz-se necessária a afirmação do sacerdócio universal, que destaca que todos os crentes são sacerdotes conforme ensinou Lutero utilizando as palavras do apóstolo Pedro: "Mas vós sois geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz." (1 Pe 2. 9) . Essa afirmação nos coloca como iguais diante de Deus,  fazendo-nos livres, para não vivermos a mercê de líderes manipuladores e escolhermos qualquer irmão de confiança para confessarmo-nos.
Portanto, que ao invés de comprarmos livros de auto-ajuda antes mesmo que esquentem as prateleiras, ou procurarmos o auxílio de alguma espécie de guru, confessemos nossos pecados uns aos outros e oremos uns pelos outros para sermos curados das nossas culpas, dores e demais doenças da alma, pela graça de Deus.  

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Tempo de mudanças







Vivemos em um tempo de transição e crise. Essa é a grande tese das páginas introdutórias de O Ponto de Mutação de Fritjof Capra, físico contemporâneo que tem se destacado pela crítica ao pensamento cartesiano e pela proposta de modelo integrado de pensamento.

O fato é que, para esse autor, pelo menos em parte, os ideais da modernidade fracassaram. O paraíso prometido pelos arautos do antropocentrismo cientificista e racionalista não foi alcançado. A ênfase cartesiana (Cogito, ergo sum) nos legou soluções e propostas que já não respondem as demandas da contemporaneidade.

O esquema racionalista ocasionou uma equiparação da identidade do sujeito com a mente racional, proporcionou um divórcio entre mente e corpo, e empalideceu a possibilidade de uma visão integral do ser humano que incorporasse a afetividade como dado antropológico fundamental.

Da mesma forma, favoreceu uma visão mecanicista do mundo, da natureza dessacralizada que corroborou para sua usurpação e, de certa maneira, furtou a possibilidade de comunhão e cooperação dos homens e mulheres com os demais organismos vivos ao extremo culminando na crise ecológica hodierna.

Além disso, essa abordagem cartesiana ganhou capilaridade em todos os ramos do pensamento humano influenciando as ciências, que se fragmentaram em um mundo de especializações, o que trouxe à reboque a pretensão de conhecer a realidade única e exclusivamente através de seus dados e descobertas sem dialogar com outros campos do saber.

Entretanto, como exemplo de superação desse modelo, Capra ressalta o caso específico da Física, que com o alcance de suas investigações no domínio atômico e subatômico percebeu a limitação de suas idéias clássicas, e se viu obrigada a aceitar profundas modificações em suas idéias mais caras.

Do mesmo modo, a Teologia para responder relevantemente as questões hodiernas, precisa dar um salto na direção de uma nova forma de pensar. Para isso, é imperioso superar o modelo cartesiano que contribuiu para uma espécie de intelctualização da fé, onde importa mais o saber do que o fazer, ou seja, a preocupação com a ortodoxia em detrimento da ortopraxia. Também se faz mister enfrentar com seriedade a crise ecológica, ressignificando a relação do homem com a natureza através da fé no Deus Criador. Do mesmo modo carece repensar o modelo patriarcal e androcêntrico, que inclusive encontra eco em algumas leituras da Escritura. Além de aprofundar uma antropologia que proponha uma visão integral do homem com sua dimensão corporal e afetiva ligada ao intelecto.

Evidentemente nem todos os teólogos darão esse passo, alguns preferirão manter-se sonanbúlicos confortavelmente onde estão com o semblante sisudo repetindo suas respostas em pedaços de papéis amarelados e mofados. No entanto, aqueles que sabem que a teologia é um exercício hermenêutico constante de trazer a tona o sentido da fé através de novas expressões culturais, caminharão com a certeza de dolorosos, porém férteis conflitos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Música contra o câncer...e a teologia da pro$peridade


Incrível! No último dia 29 o Jornalista Renato Grandelle publicou uma reportagem sob a seguinte epígrafe: Música contra o câncer. Nela trata de uma pesquisa que concluiu que a Quinta sinfonia de Beethoven ajuda no combate ao câncer. Segue abaixo um trecho da matéria:
Mesmo quem não costuma escutar música clássica já ouviu, numerosas vezes, o primeiro movimento da "Quinta Sinfonia" de Ludwig van Beethoven. O "pam-pam-pam-pam" que abre uma das mais famosas composições da História, descobriu-se agora, seria capaz de matar células tumorais - em testes de laboratório. Uma pesquisa do Programa de Oncobiologia da UFRJ expôs uma cultura de células MCF-7, ligadas ao câncer de mama, à meia hora da obra. Um em cada cinco delas morreu, numa experiência que abre um nova frente contra a doença, por meio de timbres e frequências.
A estratégia, que parece estranha à primeira vista, busca encontrar formas mais eficientes e menos tóxicas de combater o câncer: em vez de radioterapia, um dia seria possível pensar no uso de frequências sonoras. O estudo inovou ao usar a musicoterapia fora do tratamento de distúrbios emocionais.
Esta terapia costuma ser adotada em doenças ligadas a problemas psicológicos, situações que envolvam um componente emocional. Mostramos que, além disso, a música produz um efeito direto sobre as células do nosso organismo - ressalta Márcia Capella, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, coordenadora do estudo.
Como as MCF-7 duplicam-se a cada 30 horas, Márcia esperou dois dias entre a sessão musical e o teste dos seus efeitos. Neste prazo, 20% da amostragem morreu. Entre as células sobreviventes, muitas perderam tamanho e granulosidade.
O resultado da pesquisa é enigmático até mesmo para Márcia. A composição "Atmosphères", do húngaro György Ligeti, provocou efeitos semelhantes àqueles registrados com Beethoven. Mas a "Sonata para 2 pianos em ré maior", de Wolfgang Amadeus Mozart, uma das mais populares em musicoterapia, não teve efeito.
Foi estranho, porque esta sonata provoca algo conhecido como o "efeito Mozart", um aumento temporário do raciocínio espaço-temporal - pondera a pesquisadora. - Mas ficamos felizes com o resultado. Acreditávamos que as sinfonias provocariam apenas alterações metabólicas, não a morte de células cancerígenas.
"Atmosphères", diferentemente da "Quinta Sinfonia", é uma composição contemporânea, caracterizada pela ausência de uma linha melódica. Por que, então, duas músicas tão diferentes provocaram o mesmo efeito?
Aliada a uma equipe que inclui um professor da Escola de Música Villa-Lobos, Márcia, agora, procura esta resposta dividindo as músicas em partes. Pode ser que o efeito tenha vindo não do conjunto da obra, mas especificamente de um ritmo, um timbre ou intensidade. 
Outra informação legal é que quando conseguirem identificar o que matou as células os cientistas construirão uma sequência sonora para o tratamento de tumores. E, alem disso, a partir do mês que vem eles testarão o efeito do samba e do funk sobre as células tumorais.
Fiquei cá pensando com meus botões: Qual será o efeito produzido nas células pelos chamados louvores tocados nas rádios evangélicas? Não sei. Mas na teologia popular, ou seja, no que o povo pensa sobre Deus os resultados tem sido funestos. Afinal, as músicas mais tocadas são feitas para atender a demanda do mercado que precisa manter a engrenagem do consumo a girar. Infelizmente, o coração de muitos artistas evangélicos está mais cheio de ganância por sucesso do que de Deus. E, há mais compromisso com os número($) do que com a beleza de suas obras. Tudo isso também influenciado e  ratificado pela famigerada Teologia da Prosperidade, que nada mais é do que a perversa lógica consumista capitalizada pela religião. 
Diante desse quadro e da reportagem fiquei a sonhar:  Igrejas que prometem soluções imediatas e curas rápidas a troco de dinheiro transformadas em grandes teatros para apresentações públicas das belas músicas curativas, não qualquer música só as belas. Porque como escreveu Rubem Alves: "Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado."
Talvez seja também a bela música, feita por mulheres e homens comprometidos com Deus, uma cura para o mal da teologia da prosperidade que assola a igreja, o corpo de Cristo.